Trabalho
- Buda
- 20 de out. de 2019
- 2 min de leitura
Hoje vivenciei novamente a rotina da maioria das pessoas que conheço. Trabalhei dois turnos e mal tive tempo para o almoço. Na verdade o único alimento que meu estômago degustou foram várias xícaras de café intercaladas com um único bombom.
Sei que isso foi péssimo para meu organismo, mas não me recordo de alguma vez eu me importar com minha alimentação. Parece que é até uma afronta comer de forma saudável e ingerir água em intervalos aceitáveis. No entanto, esse não é o propósito dessa prosa, mas sim a de identificar como meu dia pode ficar pior com tão pouco esforço.
Durante o dia me deparei com um processo que julguei de início fácil de resolver, entretanto, a medida que meus olhos decorriam sobre as palavras, mais e mais percebi que estava enganado.
Levei cerca de 7 longas horas para finalizá-lo, o que me fez refletir se foi uma sábia escolha me tornar juiz. Muitas vezes não entendo por que há tantos litígios, tais quais que poderiam ser resolvidos através de diplomacia. Então lembro que as pessoas, mesmo com conhecimento avantajado, são dotadas de orgulho e vontades que as distanciam da conciliação.
Devido a isso, milhares de processos clamam por meu parecer para que possam finalizar uma relação que nasceu conturbada e ao longo dos anos se deteriorou exponencialmente proporcional, impossibilitando em vários casos a reconciliação.
Entendo que meu papel é composto por uma frieza incrível e mesmo que não concorde com certas aplicações da lei, não posso de forma arbitrária julgar os fatos com base em uma convicção formada apenas em minhas vontades.
Sabe o "nobre" julgador deve assegurar que as normas sejam aplicadas em sua conformidade e, portanto, devo me abster de produzi-las a meu bel prazer. Deve ser por isso, que várias vezes deparo com colegas desmotivados em suas decisões por não compreenderem que somos apenas um dos instrumentos que garantirá o devido processo legal.
Sinto dizer que ao longo dessa sina, desconheço um método eficaz para finalizar esse círculo vicioso. Creio que anos atrás, talvez deveria ter optado em seguir carreira legista, pois ao contrário das interposições regulares de vontades que acompanho no meu dia a dia, o objeto laboral deste já se libertou das amarras do conflito humano que vulgarmente chamamos de vida.
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